
As duas construções “tu en penses quoi” e “qu’est-ce que tu en penses” circulam na língua corrente, mas não pertencem ao mesmo registro. Compreender o que as distingue implica analisar o papel do pronome, a construção verbal e o nível de língua esperado pelo contexto de comunicação.
Construção gramatical do verbo pensar: pronome “en” e preposição “de”
O verbo “pensar” muda de significado conforme a preposição que o segue. “Pensar em algo” significa refletir sobre isso. “Pensar de algo” significa ter uma opinião, formular um parecer.
Quando se pede a opinião de alguém, a construção correta é “pensar de”. O pronome “en” substitui o complemento introduzido por “de”. Dizer “qu’est-ce que tu en penses ?” equivale a dizer “o que você pensa sobre isso ?”.
| Formulação | Construção verbal | Registro | Correção gramatical |
|---|---|---|---|
| Qu’est-ce que tu en penses ? | pensar de + pronome “en” | Padrão / corrente | Correta |
| Qu’en penses-tu ? | pensar de + pronome “en” + inversão sujeito-verbo | Formal | Correta |
| Tu en penses quoi ? | pensar de + pronome “en” + “quoi” no final da frase | Familiar | Correta (oral) |
| Tu penses quoi ? | pensar sem pronome nem preposição | Muito familiar | Gramaticalmente incompleta |
A formulação “tu penses quoi ?”, sem o pronome “en”, é gramaticalmente incompleta porque falta o complemento preposicional. O verbo “pensar” usado para pedir uma opinião exige a preposição “de”, que o pronome “en” vem substituir. Um artigo que detalha o que você pensa sobre a ortografia confirma essa análise gramatical.

Registro familiar ou registro formal: qual forma escolher na escrita
A verdadeira linha de divisão entre essas formulações não é a correção no sentido estrito, mas o registro. As três primeiras formas da tabela acima são todas gramaticalmente aceitáveis. O que varia é seu grau de formalidade.
“Qu’en penses-tu ?” continua sendo a única forma adequada para uma escrita formal: correspondência profissional, redação administrativa, dissertação. A inversão do sujeito e do verbo é o marcador do registro formal na frase interrogativa francesa.
“Qu’est-ce que tu en penses ?” é adequada para uma escrita corrente: e-mail entre colegas, mensagem em um fórum, artigo de blog. A estrutura “est-ce que” pertence ao registro padrão há muito tempo.
“Tu en penses quoi ?” coloca a palavra interrogativa “quoi” no final da frase, o que caracteriza o registro familiar. Essa forma é ouvida em toda parte na conversa cotidiana. As gramáticas da oralidade contemporânea a descrevem como extremamente frequente e perfeitamente funcional na oralidade, sem qualificá-la como erro.
Por que “quoi” no final da frase é percebido como familiar
No francês padrão, a palavra interrogativa se coloca no início da frase (“que penses-tu ?”) ou após “est-ce que” (“qu’est-ce que tu penses ?”). Quando “quoi” permanece na posição do complemento, a frase mantém a ordem sujeito-verbo-complemento do francês falado. É essa ausência de deslocamento que sinaliza o registro familiar.
A estrutura “sujeito + verbo + quoi” se generalizou na oralidade informal desde os anos 2000. Dizemos “tu fais quoi ?”, “tu regardes quoi ?”, “tu manges quoi ?” sem que ninguém veja um erro na conversa. A forma “tu en penses quoi ?” segue exatamente o mesmo mecanismo.
Conjugação do verbo pensar: os erros frequentes na escrita
Com a questão do registro resolvida, outro truque aguarda na escrita: a conjugação. O verbo “pensar” é um verbo do primeiro grupo, regular, mas a confusão entre indicativo e subjuntivo provoca erros recorrentes.
- No indicativo presente, escreve-se “tu penses” com um -s final. É a forma usada nas perguntas diretas: “qu’est-ce que tu en penses ?”.
- No subjuntivo presente, escreve-se “que tu penses”, sempre com um -s. A ortografia é idêntica, o que reduz o risco de erro para esse verbo específico.
- No imperativo presente, segunda pessoa do singular, escreve-se “pense” sem -s. A confusão com o indicativo é frequente: “pense ao que você faz” e não “penses ao que você faz”.
O erro mais comum consiste em escrever “pense” sem -s no indicativo (“tu pense quoi ?”), confundindo a forma do imperativo com a do indicativo. A regra é simples: no indicativo e no subjuntivo, a segunda pessoa do singular sempre leva um -s para os verbos do primeiro grupo.
O caso da inversão sujeito-verbo e do hífen
Na forma formal “qu’en penses-tu ?”, um hífen une o verbo ao pronome sujeito invertido. Esquecer esse hífen é um erro de ortografia frequente. A regra se aplica a todas as interrogações com inversão: “veux-tu ?”, “sais-tu ?”, “crois-tu ?”.

Pensar “de” ou pensar “em”: dois sentidos a não confundir
Uma última fonte de confusão merece ser isolada. “Pensar de” e “pensar em” não são intercambiáveis.
- “Pensar de” introduz uma opinião: “o que você pensa sobre este filme ?” significa “qual é a sua opinião sobre este filme ?”.
- “Pensar em” introduz uma ideia, uma lembrança, uma intenção: “o que você está pensando ?” significa “em que você está refletindo ?”.
- O pronome “en” substitui “de algo” (opinião), enquanto o pronome “y” substitui “em algo” (reflexão). Dizer “tu y penses ?” significa “você está pensando nisso ?”, não “qual é a sua opinião ?”.
Confundir “en” e “y” equivale a confundir pedir uma opinião e perguntar em que alguém está pensando. A frase “qu’est-ce que tu y penses ?” está incorreta se se deseja solicitar uma opinião.
A escolha entre “tu en penses quoi”, “qu’est-ce que tu en penses” e “qu’en penses-tu” depende do contexto de comunicação, não de uma regra de correção absoluta. As três formas respeitam a gramática do verbo “pensar de”. A única forma realmente errada é aquela que omite o pronome “en”, pois elimina a ligação com a preposição “de” que o verbo exige para expressar uma opinião.